E de repente todos estavam nus. Pelo menos foi isso que percebi nas repercussões do Facebook depois de uma notícia sobre um espancamento contra um filhotinho de podle em um condomínio de Porto Alegre. Bem, maltratar animais é, além de irracional, um ato de extrema covardia.Agora que contextualizei o assunto, explico o título desse post. O mais interessante nisso tudo é que o inocente e fofo cãozinho nos instiga a tirarmos nossa roupa da bondade e nos revelarmos nus na nossa mais absoluta crueldade.
É curioso pensar que não admitimos a violência contra o animalzinho, mas consideramos que a mesma ou pior violência seja praticada contra quem agrediu o podle. Mais do que isso, incentivamos a execração pública da agressora – considerando as postagens no Facebook. Um grande amigo, cujo tenho profunda admiração pessoal e intelectual, chamou minha atenção para um fato relevante. O conselho tutelar da Capital gaúcha se manifestou sobre o assunto, pois a mãe estaria ensinando o filho a chutar o animalzinho. Ora, em Porto Alegre, na cidade da Copa, não há crianças em situação de vulnerabilidade nas vilas e por isso o conselho tutelar deve, realmente, se preocupar com essa questão.
Vocês, precários leitores deste ainda mais precário blog, lembram do mendigo que foi assassinado no centro de Porto Alegre por supostamente ter roubado uma bolsa? Vejam bem, o homem não foi só violentamente agredido, foi assassinado mesmo. Eu disse ASSASSINADO a socos, pontapés e pedradas. Mas essa repercussão foi bem menor, bem menor. A propósito, a polícia já identificou os criminosos?
Sem mais delongas, vou-me à minha precária conclusão. Para tanto, recorro aos devaneios da minha amiga e colega de trabalho Grazi Wolfart, que anda a pensar teoricamente e teologicamente a maldade humana. A verdade é que somos verdadeiramente maus, seja quando ignoramos a morte do mendigo, seja quando a mulher agride o indefeso cãozinho na frente do filho e seja quando queremos execrar alguém no Facebook. A maldade não está nos outros, está em nós, mas isso parece que somos incapazes de enxergar.
E para dar nos dedos de mim mesmo, que sou a forma mais precária de ateu/agnóstico, recorro à última parte da única oração que realmente conheço, o Pai Nosso, para tentar indicar uma alternativa de pensarmos na nossa própria crueza: “…e livrai-nos do (nosso) mal. Amén.”
PS: Para quem pensa que sou insensível com os animais lá vai: Sou o cachorro do meu cahorro