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________Devaneios cotidianos

Jornalismo mentira

“Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade… Ninguém que não a tenha vivido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida… Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja a obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite  um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte”. (Gabriel Garcia Márquez).

Garcia Márquez, escritor e jornalista colombiano, consegue em poucas palavras definir o que é jornalismo. Para ele, o jornalismo “se alimenta dos imprevistos da vida”, contudo, nem todos jornalistas compartilham dessa perspectiva. O fato é que existem jornalistas que promovem fatos para logo após midiatizarem isso, quase sempre com o uso de câmeras escondidas. Aliás, o uso desses equipamentos causa muitas controvérsias entre os próprios profissionais da comunicação, sobretudo, levando-se em conta aspectos éticos.

Recentemente o repórter da RBS Giovani Grizotti, passou-se por policial para comprar uma farda da Brigada Militar. Com uma câmera escondida o repórter entrou na loja e pediu um uniforme, o vendedor solicitou a identidade funcional, mas ele mentiu dizendo que havia esquecido no carro. Logo após o repórter saiu da loja e caminhou nas ruas de Porto Alegre, passando-se por Brigadiano. Evidentemente houve falha do vendedor da loja, que foi negligente ao não obrigar a apresentação da identidade, contudo, o repórter agiu de má fé se passando por policial, mentido sua identidade.

No final das contas, a notícia só foi ao ar porque o repórter mentiu, pois se ele tivesse sido honesto, dizendo a verdadeira identidade dele, que é jornalista, provavelmente o vendedor não teria efetuado a venda do uniforme. Esse é um jornalismo bastante diferente do jornalismo ideal de Garcia Márquez, um jornalismo marrom que definitivamente não se alimenta dos “imprevistos da vida”, ao contrário, fabrica os imprevistos de acordo com os próprios interesses.

“Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade… Ninguém que não a tenha vivido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida… Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja a obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite  um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte”. (Gabriel Garcia Márquez).

Garcia Márquez, escritor e jornalista colombiano, consegue em poucas palavras definir o que é jornalismo. Para ele, o jornalismo “se alimenta dos imprevistos da vida”, contudo, nem todos jornalistas compartilham dessa perspectiva. O fato é que existem jornalistas que promovem fatos para logo após midiatizarem isso, quase sempre com o uso de câmeras escondidas. Aliás, o uso desses equipamentos causa muitas controvérsias entre os próprios profissionais da comunicação, sobretudo, levando-se em conta aspectos éticos.

Recentemente o repórter da RBS Giovani Grizotti, passou-se por policial para comprar uma farda da Brigada Militar. Com uma câmera escondida o repórter entrou na loja e pediu um uniforme, o vendedor solicitou a identidade funcional, mas ele mentiu dizendo que havia esquecido no carro. Logo após o repórter saiu da loja e caminhou nas ruas de Porto Alegre, passando-se por Brigadiano. Evidentemente houve falha do vendedor da loja, que foi negligente ao não obrigar a apresentação da identidade, contudo, o repórter agiu de má fé se passando por policial, mentido sua identidade.

No final das contas, a notícia só foi ao ar porque o repórter mentiu, pois se ele tivesse sido honesto, dizendo a verdadeira identidade dele, que é jornalista, provavelmente o vendedor não teria efetuado a venda do uniforme. Esse é um jornalismo bastante diferente do jornalismo ideal de Garcia Márquez, um jornalismo marrom que definitivamente não se alimenta dos “imprevistos da vida”, ao contrário, fabrica os imprevistos de acordo com os próprios interesses.

Discursos dominantes

Desta vez não ousei colocar no título algo relacionado a religião, embora, depois de muito tempo  de ócio, volto ao blog para falar justamente disso. Desta vez, alinhado ao pensamento de Leonardo Boff, escrevo breves linhas sobre o pensamento do Papa em relação a crise mundial.

No dia 07 de julho, Bento XVI escreveu a encíclica Caritas in Veritate (Caridade em verdade) sobre a atual crise mundial. Em nenhuma parte do texto fala-se em rompimento dos atuais sistemas político-sócio-econômicos, pelo contrário, fala de readequação dos modos atualmente existentes, pressupondo, portanto, que o sistema atual está correto, embora hajam algumas “disfunções”. Isso além de não ser viável ecologicamente, reforça uma prática da Igreja, que é de legitimar os setores dominantes. Evidentemente, essa prática não está explícita no texto, embora possa ser percebida nas entrelinhas.

Bento XVI não é um profeta, é um doutor. Seu texto é um misto de “inocência” teórica, pois se apresenta principista e não leva em consideração as complexas relações sociais da atualidade, com uma espécie de “rigor científico”, que não lhe permite profetizar novos rumos.

Para Leonardo Boff, ao Papa falta um pouco de Marxismo: “Este [o Papa], a partir dos oprimidos, tem o mérito de desmascarar as oposições presentes no sistema atual, pôr à luz os conflitos de poder e denunciar a voracidade incontida da sociedade de mercado, competitiva, consumista, nada cooperativa e injusta. Ela representa um pecado social e estrutural que sacrifica milhões no altar da produção para o consumo ilimitado”, diz Leonardo.

Apesar de tudo, confesso, ainda que contrariado, que o Papa não é um fracasso total, pois quando resolve despir-se dos próprios preconceitos fala de coisas importantes como a reforma da ONU, a nova arquitetura econômico-financeira internacional, o conceito do Bem Comum do Globo  e a inclusão relacional da família humana.

Demônios S/A

As igrejas, sobretudo as cristãs,  são verdadeiras máquinas demonizantes. Falo das cristãs, obviamente, porque sou ocidental e percebo a força que elas têm. Há, ao longo da história, um enorme esforço empreendido por essas instituições para demonizar tudo aquilo que difere de seus ideais. Os estados laicos são demonizados, os ateus e agnósticos também, e até os espíritas, que paradoxalmente são cristãos, levam o rótulo satânico. As “guerras santas”, talvez, sejam as responsáveis pelo maior número de pessoas mortas no mundo. Se pensarmos no Nazismo, são milhões e milhões de mortos, embora, acreditem, a igreja, ainda no seu desejo de demonizar os outros sem jamais olhar para sí própria, atribui as mortes da Segunda Guerra Mundial ao comunismo. Para eles, os comunistas ensinaram os nazistas católicos a matarem os judeus, mas ignoram a aula de “como matar inocentes” que foi a inquisição.

Não obstante, entro num site de uma igreja evangélica. Só que o desgosto é o mesmo. Um dos posts diz: “Fui universitário, mas me salvei”. Na hora lembrei do Gilmar Mendes, que “salvou” os jornalistas de virarem demônios. Pelo menos, deu-lhes a oportunidade de sê-los sem obrigatoriamente virarem demônios, como propõe o blog evangélico, já que o diploma agora é facultativo.

Abro o jornal e os católicos do Vale dos Sinos, empenham-se para que a igreja torne santo o Pe. Reus. Agora a santidade das pessoas dependem do carimbo do vaticano, que virou uma verdadeira fabrica de santos, tanto que até perdi as contas de quantos viraram santos nos últimos 100 anos. Ora, se Pe. Reus é milagreiro pra quê precisa a benção do Papa, ele não precisa do Ratzinger pra isso.

A religião deveria ser uma força edificante, construtiva, altruísta, mas não é. Ao invés de pregar coisas boas, propõe-se a intolerência religiosa, que ocorre tanto nas suscetíveis tentativas da igreja católica em negar o holocausto, quanto no discurso alienante das igrejas evangélicas, que são contra o ensino superior para que suas massas de manobras sejam mais manipuláveis.

Diante de toda essa realidade, penso que Deus, seja ele qual for, prefere muito mais os ateus que os cristãos.

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