Poucas profissões são capazes de aproximar sonho e realidade. O jornalismo é uma delas. Falo isso porque, além de ser aspirante a jornalista, na última edição da Feira do Livro tive a oportunidade de entrevistar Guillermo Arriaga, escritor e roteirista mexicano.
No currículo de Arriaga o roteiro de 21 Gramas, Amores Perros e Babel, só para falar dos mais famosos. Além da direção de documentários e outros filmes, como é o caso de Três Enterros. Na literatura, seus livros já foram traduzidos em 18 idiomas e sua visita à Feira do Livro de Porto Alegre, foi para lançar “Esquadrão Guilhotina”, obra que conta a saga de um advogado que experimentou a ascensão e a queda graças ao seu invento, uma guilhotina, como o nome sugere.
Para quem conhece as obras de Arriaga, sabe da relação delas com a morte, tema recorrente em seus textos, que geralmente são alvo de questionamentos. Mas Arriaga, que demonstra estar acostumado com esse tipo de pergunta, responde com bom humor. “Cresci seis anos da minha vida colocando um jaleco e um sombrero sobre um morto”, descreveu, contando o que fazia no esqueleto da escola onde estudava. “Aliás, todo dia quando vejo minha careca, lembro que ela é uma lambida da língua da morte”, brinca Arriaga.
O escritor-roteirista teve sua relação abalada com Alejandro González Iñárritu, diretor de alguns filmes que escreveu, pois segundo Arriaga o combinado entre os dois não foi cumprido e quando os filmes Babel e 21 Gramas foram divulgados saíram apenas como: um filme de Iñarritu. “Não estou de acordo em não colocar meu nome em um filme que fiquei quatros anos escrevendo”, explicou.
Confira agora uma pequena entrevista com o escritor.
PensouFalou! – Como surgiu o gosto pela literatura?
Guillermo Arriaga – Pelas mulheres. Porque gostava muito das mulheres e quando era criança me dei conta que me sentia melhor quando escrevia cartas, que quando falava com elas. A partir daí percebi que a palavra escrita me fazia sentir mais cômodo para dizer o que queria.
PF!- Como é ser escritor na América Latina? Existem muitas dificuldades?
Arriaga – No meu caso não. Pelo menos eu me sinto muito privilegiado por ser um escritor mexicano, ser traduzido em 18 idiomas e ter conseguido publicar livros aqui no Brasil. No meu caso não tive muitas dificuldades, sou muito sortudo, pois tenho obras publicadas no mundo inteiro.
PF! – Porque a literatura é importante para as pessoas?
Arriaga – Nós temos histórias importantes para contar. Acredito que o que alimenta a literatura na América Latina é a experiência crua da condição humana e as contradições profundas da sociedade, que nos fazem ver o ser humano de uma perspectiva completamente original.








