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Um certo Guillermo Arriaga

In Novas histórias on 28 Novembro, 09 by Ricardo Machado

Poucas profissões são capazes de aproximar sonho e realidade. O jornalismo é uma delas. Falo isso porque, além de ser aspirante a jornalista, na última edição da Feira do Livro tive a oportunidade de entrevistar Guillermo Arriaga, escritor e roteirista mexicano.

No currículo de Arriaga o roteiro de 21 Gramas, Amores Perros e Babel, só para falar dos mais famosos. Além da direção de documentários e outros filmes, como é o caso de Três Enterros. Na literatura, seus livros já foram traduzidos em 18 idiomas e sua visita à Feira do Livro de Porto Alegre, foi para lançar “Esquadrão Guilhotina”, obra que conta a saga de um advogado que experimentou a ascensão e a queda graças ao seu invento, uma guilhotina, como o nome sugere.

Para quem conhece as obras de Arriaga, sabe da relação delas com a morte, tema recorrente em seus textos, que geralmente são alvo de questionamentos. Mas Arriaga, que demonstra estar acostumado com esse tipo de pergunta, responde com bom humor. “Cresci seis anos da minha vida colocando um jaleco e um sombrero sobre um morto”, descreveu, contando o que fazia no esqueleto da escola onde estudava. “Aliás, todo dia quando vejo minha careca, lembro que ela é uma lambida da língua da morte”, brinca Arriaga.

O escritor-roteirista teve sua relação abalada com Alejandro González Iñárritu, diretor de alguns filmes que escreveu, pois segundo Arriaga o combinado entre os dois não foi cumprido e quando os filmes Babel e 21 Gramas foram divulgados saíram apenas como: um filme de Iñarritu. “Não estou de acordo em não colocar meu nome em um filme que fiquei quatros anos escrevendo”, explicou.

Confira agora uma pequena entrevista com o escritor.

PensouFalou! – Como surgiu o gosto pela literatura?

Guillermo Arriaga – Pelas mulheres. Porque gostava muito das mulheres e quando era criança me dei conta que me sentia melhor quando escrevia cartas, que quando falava com elas. A partir daí percebi que a palavra escrita me fazia sentir mais cômodo para dizer o que queria.

PF!- Como é ser escritor na América Latina? Existem muitas dificuldades?

Arriaga – No meu caso não. Pelo menos eu me sinto muito privilegiado por ser um escritor mexicano, ser traduzido em 18 idiomas e ter conseguido publicar livros aqui no Brasil. No meu caso não tive muitas dificuldades, sou muito sortudo, pois tenho obras publicadas no mundo inteiro.

PF! – Porque a literatura é importante para as pessoas?

Arriaga – Nós temos histórias importantes para contar. Acredito que o que alimenta a literatura na América Latina é a experiência crua da condição humana e as contradições profundas da sociedade, que nos fazem ver o ser humano de uma perspectiva completamente original.

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Jornalismo mentira

In Novas histórias on 11 Setembro, 09 by Ricardo Machado

“Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade… Ninguém que não a tenha vivido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida… Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja a obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite  um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte”. (Gabriel Garcia Márquez).

Garcia Márquez, escritor e jornalista colombiano, consegue em poucas palavras definir o que é jornalismo. Para ele, o jornalismo “se alimenta dos imprevistos da vida”, contudo, nem todos jornalistas compartilham dessa perspectiva. O fato é que existem jornalistas que promovem fatos para logo após midiatizarem isso, quase sempre com o uso de câmeras escondidas. Aliás, o uso desses equipamentos causa muitas controvérsias entre os próprios profissionais da comunicação, sobretudo, levando-se em conta aspectos éticos.

Recentemente o repórter da RBS Giovani Grizotti, passou-se por policial para comprar uma farda da Brigada Militar. Com uma câmera escondida o repórter entrou na loja e pediu um uniforme, o vendedor solicitou a identidade funcional, mas ele mentiu dizendo que havia esquecido no carro. Logo após o repórter saiu da loja e caminhou nas ruas de Porto Alegre, passando-se por Brigadiano. Evidentemente houve falha do vendedor da loja, que foi negligente ao não obrigar a apresentação da identidade, contudo, o repórter agiu de má fé se passando por policial, mentido sua identidade.

No final das contas, a notícia só foi ao ar porque o repórter mentiu, pois se ele tivesse sido honesto, dizendo a verdadeira identidade dele, que é jornalista, provavelmente o vendedor não teria efetuado a venda do uniforme. Esse é um jornalismo bastante diferente do jornalismo ideal de Garcia Márquez, um jornalismo marrom que definitivamente não se alimenta dos “imprevistos da vida”, ao contrário, fabrica os imprevistos de acordo com os próprios interesses.

“Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade… Ninguém que não a tenha vivido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida… Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja a obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite  um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte”. (Gabriel Garcia Márquez).

Garcia Márquez, escritor e jornalista colombiano, consegue em poucas palavras definir o que é jornalismo. Para ele, o jornalismo “se alimenta dos imprevistos da vida”, contudo, nem todos jornalistas compartilham dessa perspectiva. O fato é que existem jornalistas que promovem fatos para logo após midiatizarem isso, quase sempre com o uso de câmeras escondidas. Aliás, o uso desses equipamentos causa muitas controvérsias entre os próprios profissionais da comunicação, sobretudo, levando-se em conta aspectos éticos.

Recentemente o repórter da RBS Giovani Grizotti, passou-se por policial para comprar uma farda da Brigada Militar. Com uma câmera escondida o repórter entrou na loja e pediu um uniforme, o vendedor solicitou a identidade funcional, mas ele mentiu dizendo que havia esquecido no carro. Logo após o repórter saiu da loja e caminhou nas ruas de Porto Alegre, passando-se por Brigadiano. Evidentemente houve falha do vendedor da loja, que foi negligente ao não obrigar a apresentação da identidade, contudo, o repórter agiu de má fé se passando por policial, mentido sua identidade.

No final das contas, a notícia só foi ao ar porque o repórter mentiu, pois se ele tivesse sido honesto, dizendo a verdadeira identidade dele, que é jornalista, provavelmente o vendedor não teria efetuado a venda do uniforme. Esse é um jornalismo bastante diferente do jornalismo ideal de Garcia Márquez, um jornalismo marrom que definitivamente não se alimenta dos “imprevistos da vida”, ao contrário, fabrica os imprevistos de acordo com os próprios interesses.

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Discursos dominantes

In Novas histórias on 28 Agosto, 09 by Ricardo Machado

Desta vez não ousei colocar no título algo relacionado a religião, embora, depois de muito tempo  de ócio, volto ao blog para falar justamente disso. Desta vez, alinhado ao pensamento de Leonardo Boff, escrevo breves linhas sobre o pensamento do Papa em relação a crise mundial.

No dia 07 de julho, Bento XVI escreveu a encíclica Caritas in Veritate (Caridade em verdade) sobre a atual crise mundial. Em nenhuma parte do texto fala-se em rompimento dos atuais sistemas político-sócio-econômicos, pelo contrário, fala de readequação dos modos atualmente existentes, pressupondo, portanto, que o sistema atual está correto, embora hajam algumas “disfunções”. Isso além de não ser viável ecologicamente, reforça uma prática da Igreja, que é de legitimar os setores dominantes. Evidentemente, essa prática não está explícita no texto, embora possa ser percebida nas entrelinhas.

Bento XVI não é um profeta, é um doutor. Seu texto é um misto de “inocência” teórica, pois se apresenta principista e não leva em consideração as complexas relações sociais da atualidade, com uma espécie de “rigor científico”, que não lhe permite profetizar novos rumos.

Para Leonardo Boff, ao Papa falta um pouco de Marxismo: “Este [o Papa], a partir dos oprimidos, tem o mérito de desmascarar as oposições presentes no sistema atual, pôr à luz os conflitos de poder e denunciar a voracidade incontida da sociedade de mercado, competitiva, consumista, nada cooperativa e injusta. Ela representa um pecado social e estrutural que sacrifica milhões no altar da produção para o consumo ilimitado”, diz Leonardo.

Apesar de tudo, confesso, ainda que contrariado, que o Papa não é um fracasso total, pois quando resolve despir-se dos próprios preconceitos fala de coisas importantes como a reforma da ONU, a nova arquitetura econômico-financeira internacional, o conceito do Bem Comum do Globo  e a inclusão relacional da família humana.